A Casa que Jack Construiu

Quando o silêncio fala: O Jardim das Palavras e o não dito
26 de novembro de 2018
Segundo Trailer de “Capitã Marvel” Revela Adaptações para o Cinema
4 de dezembro de 2018

A Casa que Jack Construiu (2018)

rx online

A galera de Cannes é um pouco exagerada. Assistimos ao novo longa do polêmico diretor Lars Von Trier, “A Casa que Jack Construiu” (2018), e não achamos nada assim tão escandaloso como eles. É apenas mais um filme de psicopata, com um leve toque gore e todas aquelas aleatoriedades que encontramos em outras obras do diretor.

No filme acompanhamos Jack, um psicopata que mata suas vítimas de maneiras bem sádicas, buscando um certo reconhecimento e desfecho para seus atos que nem mesmo ele sabe explicar. Seguindo a risca a cartilha dos filmes de psicopatas, o diferencial do longa para os demais está na montagem que conta com a inserção de várias imagens de filmes e vídeos que dialogam com o que está em cena.

 

Jack e uma de suas vítimas

 

 

Há na obra uma certa poética sobre a vida, a sociedade, o universo e tudo mais, que dialoga com o místico e divino. Questionamentos sobre as atitudes de Jack e suas consequências, o por quê de nosso protagonista agir de tal maneira, e por que o mesmo não é ‘castigado’ pelo que faz. É quase como se perguntassem “cadê o karma dele?’. Essas indagações são sempre representadas pela sua referência (in)direta à “Divina Comédia”, de Dante Alighieri.

 

 

O abandono do TOC e outras características psicológicas presentes no primeiro ato do filme causa uma perda na força do personagem, tornando mais um psicopata qualquer. Apesar disso, Matt Dilon se destaca carregando o personagem e trama naquela que talvez seja sua melhor atuação dos últimos tempo (PAM! Se perguntarem a gente não falou nada). Menos sangrento do que parece nos trailers, “A Casa que Jack…” é um filme que destoa bastante do restante da filmografia de Lars Von Trier, o que surge como uma gostosa surpresa. Os exageros aqui são relativamente moderados, com exceção do último ato (sem comentários para evitar os spoilers), e seguem de forma mais sutil. Toda a obra parece uma versão menos sofisticada da série “Hannibal” (2013-15).

A trilha sonora intensa chama a atenção pelas músicas de David Bowie, que por mais estranho que possa parecer, tem em suas letras uma forte conexão com o que acontece com Jack em cena, seja nas suas ações quanto emoções. Apesar de não tão chocante quanto aparenta, é, como muitas das outras obras do diretor, desse filmes em que ama-se ou odeia-se.

 

NOTA: 3,5 / 5,0

 

Carolina Villa
Carolina Villa
Apaixonada pelo Homem-Aranha e tudo que o envolva. Mas ama mesmo assistir filmes e séries de ficção científica das antigas repletos de efeitos toscos. Quanto mais trash melhor! Graduada em Cinema e Audiovisual na UFPE, e Publicidade e Propaganda na FBV (PE), vive em um poliamor com essas duas áreas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

T.J. Hockenson Jersey