A troca do terror pela ficção científica em A Morte Te Dá Parabéns 2

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A Morte Te Dá Parabéns 2

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Sejamos sinceros: ninguém estava esperando uma continuação para “A Morte Te Dá Parabéns” (2017), não é mesmo? Mas ela veio mesmo assim, e “A Morte Te Dá Parabéns 2” (Dir.: Christopher Landon, 2019) é uma sequência completamente diferente da original, e que ainda por cima soluciona de maneira científica o mistério motriz por trás do looping temporal vivido pela carismática Tree Gelbman (Jessica Rothe).

No longa, depois de morrer diversas vezes para quebrar o feitiço temporal que a mantinha presa no dia de seu aniversário, Tree Gelbman olha para o futuro, tentando escrever uma nova história ao lado de Carter (Israel Broussard). No entanto, quando um experimento científico dá errado, a jovem é forçada a retornar ao fluxo de repetição e, desta vez, morrer não será o bastante para escapar.

Se o filme anterior possui mais elementos de terror ‘slasher’ com pitadas de humor negro, o novo suprime ao máximo a base de terror, mantêm o humor e adiciona um arco narrativo de ficção científica, bastante parecido com o de “De Volta para o Futuro 2” (1989).

Ao atribuir explicações físicas aos acontecimentos, o roteiro não se sustenta com um arcabouço sólido, e  às vezes não esclarece alguns pontos da trama, sobretudo no que diz respeito à anomalia acidental que leva à duplicação de um personagem. Esse acontecimento some da narrativa na mesma velocidade em que é inserido, e não é relevante em nenhum aspecto dentro da projeção.

 

 

Tree Gelbman (Jessica Rothe) leva o filme nas costas tanto no primeiro quanto na continuação

 

Se por um lado há incongruências narrativas e soluções mastigadas demais para evitar que o público não compreenda as resoluções, é inegável que essa reformulação do gênero fílmico dá um maior frescor à franquia, que parecia não sustentar uma sequência. Dito isso, não é nenhuma injustiça atribuir a boa dinâmica da obra à montagem, e principalmente à atriz Jessica Rothe. É admirável como ela consegue reverter diálogos clichês, em textos rápidos e ríspidos usando apenas carisma e um pouco de talento para comédia, se esforçando nitidamente para também sustentar as cenas de drama, algo que ela deixa a desejar no filme de 2017.

Os maiores méritos da produção, além de manter o elenco principal, é o de agregar uma utilidade narrativa diferente para os loopings temporais da protagonista, e assim gerar um leve distanciamento do filme anterior. Já que no primeiro longa a protagonista utiliza o artifício para descobrir quem era o seu assassino, e aqui, Tree faz uso disso para decorar algoritmos, e o resultado é ainda mais satisfatório, assim como as incontáveis e inventivas cenas de suicídio.

Em uma última análise, “A Morte Te Dá Parabéns 2”, é um rearranjo competente do seu antecessor, e que ao seu modo, ainda traz questionamentos comportamentais de gênero e sororidade feminina, boas pitadas de humor e abraça definitivamente a galhofa. Divertido na medida certa.

 

P.s.: Porque no trailer a Universal Pictures ainda investe na música do 50 Cent, se o público já sabe que o toque de telefone da Tree é uma música de aniversário irritante? Não me ilude, ô!

 

NOTA: 3,0 / 5,0

 

Nathalie Alves
Nathalie Alves
Cinéfila, nerd e feminista irremediável. Ama games, HQs, comida, RPG, boardgames, podcast, literatura, música, séries...não necessariamente nessa ordem. Estudou letras e cinema na UFPE, e administração no IFPE, desenvolvendo diversas pesquisas e projetos de extensão sobre a representação e a representatividade da mulher na cultura pop. Assiste em média 15 filmes por semana, crê piamente em vida extraterrestre e que a Cate Blanchett e a Léa Seydoux com cabelo azul são a personificação da beleza.

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