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"Dear White People"

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Uma das séries que causou rebuliço nesse semestre foi uma das produções independentes da Netflix: “Dear White People” (“Cara Gente Branca”, 2017). Baseada em um longa homônimo de 2005, a série incomodou muito gente por trazer questionamentos sobre racismo, apropriação cultural e preconceitos existentes não apenas nos E.U.A, país onde se passa a série, mas no mundo todo.

“DWP” termina nos fazendo refletir sobre a diferença entre auto-segregação e autopreservação daqueles que sofrem preconceitos diariamente.

Em aspectos técnicos a obra tem seus altos e baixos, porém consegue manter um padrão de qualidade bom. A fotografia é comum, com uso excessivo de planos médios e closes que se tornam cansativos, e nos diálogos cheios de planos e contraplanos, é um bate e volta de deixar qualquer um tonto. Mas quem chamou nossa atenção mesmo foi a montagem, que funciona como um recurso narrativo essencial para o desenrolar da trama, quebrando sua linearidade.

 

Personagens da série “Dear White People”.

 

O desenvolvimento de cada personagem acontece de uma maneira progressiva, quase didática. Vemos personagens secundários ganhando mais protagonismo. A maneira como eles são apresentados para o espectador lembra uma estrutura já vista anteriormente em séries da Netflix como “Orange is The New Black” ( – 2017) e “13 Reasons Why” (2017), onde cada episódio se aprofunda em um personagem específico, mostrando sua relação com o conflito central da trama, sem esquecer de abordar seus conflitos pessoais, que de certa forma os levaram até ali.

Pode parecer contraditório vermos personagens tão estereotipados logo em uma série como esta. A questão é que esse exagero caricato é proposital para que os problemas enfrentados por eles também tenham uma proporção maior, chamando assim a atenção do espectador. Esse exagero é agravado pelo constante sarcasmo e humor ácido usado na série. O que em alguns momentos cria uma reação contrária, pois desgasta o humor de quem assiste. É como tentar falar de um assunto sério com aquele amigo que só faz piada… São poucos os episódios que abraçam o tom mais sério.

Talvez você ache a série chata e repetitiva, mas o pedantismo da obra batendo sempre na mesma tecla é proposital. A intenção é chamar a atenção para o racismo que é considerado “inofensivo”, para não dizermos rotineiro. Seja ele na letra de uma música, ou em um comentário engraçadinho e sem noção (engraçado para quem, não é mesmo?). Isso tudo existe, e é para esse tipo de preconceito que “DWP” quer atentar.

 

NOTA: 3,0 / 5,0

 

Carolina Villa
Carolina Villa
Apaixonada pelo Homem-Aranha e tudo que o envolva. Mas ama mesmo assistir filmes e séries de ficção científica das antigas repletos de efeitos toscos. Quanto mais trash melhor! Graduada em Cinema e Audiovisual na UFPE, e Publicidade e Propaganda na FBV (PE), vive em um poliamor com essas duas áreas.

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