Escape Room: inventividade que derrapa na presunção

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Escape Room

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Pessoas diferentes entre si e postas em situações extremas em um ambiente controlado não é nenhuma novidade no cinema. O que talvez não seja tão habitual é conduzir essa abordagem sem se utilizar de violência gráfica e do gore, e com uma pegada mais adolescente. A premissa de “Escape Room” (Dir.: Adam Robitel, 2019) nesse contexto é bem simples: passando por momentos complicados em suas respectivas vidas, seis estranhos acabam sendo misteriosamente convidados para um experimento inusitado. Trancados em uma imersiva sala enigmática cheia de armadilhas, eles ganharão 10 mil dólares caso consigam sair. Mas quando percebem que os perigos são mais letais do que imaginavam, precisam agir rápido para desvendar as pistas que lhes são dadas.

Inicialmente, somos levados a acreditar que seguiremos a jornada de 3 protagonistas, há uma apresentação clássica de personagens aqui, com cada núcleo, motivações e personalidades bem delimitadas. Contudo, mais à frente, outros personagens são adicionados à trama, rompendo delicadamente o didatismo que permeia toda a obra. Embora estereotipados, o elenco é plural, com mulheres, negros e indianos, há 2 ou 3 que conseguimos enxergar backgrounds bem construídos e que cruzam discretamente a linha de seus arquétipos já impregnados em filmes do gênero. Destaque para Deborah Ann Woll que dá vida a nossa personagem favorita, Amanda, uma ex-militar traumatizada pela guerra.  

  

Bons cenários te esperam para serem desvendados.

 

O longa é uma mistura do filme “Cubo”(1997), a franquia “Jogos Mortais” (2004 – ad eternum) e jogos de escapagem, trazendo salas e situações inventivas que despertam no espectador 3 vertentes de curiosidade: qual a próxima sala?; quais as respostas para os enigmas?; e quem está por trás do jogo?. Com exceção da primeira pergunta, as respostas das demais é extremamente preguiçosa e as soluções bobas e rasas, muito porque as pistas para o público tentar juntar as peças para resolver os puzzles são diegéticas e dadas na iminência da resolução.  

O enredo, sabiamente, à primeira vista, não envereda para um tom mais conspiratório e sádico, justamente por ter consciência das limitações do baixo orçamento de sua produção. E mesmo sendo expositivo em seus diálogos e tirando qualquer ensaio de interpretação por parte do espectador, ainda consegue ter mais fôlego do que muitos escapes rooms país afora, com seus cenários dinâmicos, ricos em detalhes e imersivos.

“Escape Room” é eficiente em agrupar 6 personagens diferentes em uma mesma narrativa, mesmo possuindo uma tonelada de decisões idiotas e soluções imaturas demais para determinadas situações. O longa, embora force e perca a espontaneidade em detrimento de se tornar uma série de filmes, é um início satisfatório de franquia, embora devesse ter investido em um final menos rocambolesco e fantasioso. Às vezes menos é mais.

NOTA: 2,5 / 5,0

 

Nathalie Alves
Nathalie Alves
Cinéfila, nerd e feminista irremediável. Ama games, HQs, comida, RPG, boardgames, podcast, literatura, música, séries...não necessariamente nessa ordem. Estudou letras e cinema na UFPE, e administração no IFPE, desenvolvendo diversas pesquisas e projetos de extensão sobre a representação e a representatividade da mulher na cultura pop. Assiste em média 15 filmes por semana, crê piamente em vida extraterrestre e que a Cate Blanchett e a Léa Seydoux com cabelo azul são a personificação da beleza.

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