Filme de Terror é Coisa de Menina
21 de abril de 2018
rx online

O Oscar 2018 certamente entrará para a história por apostar na primeira vez de alguns indicados. Calma, não é sobre isso que você está pensando! É que além de termos, dessa vez, uma mesma pessoa concorrendo em duas categorias diferentes (Mary j. Blide em melhor atriz coadjuvante e melhor canção original) e a primeira fotografa mulher indicada (Rachel Morrison, por Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi), o Líbano conquistou a oportunidade de ter um filme figurando entre os 5 finalistas na categoria de melhor filme estrangeiro.  

Nada do que você espera a cerca de o Insulto vai te deixar preparado para os que os seus olhos vão, literalmente, testemunhar. Em Beirute, Toni (Adel Karam), um cristão libanês que sempre rega as plantas de sua varanda, acidentalmente molha Yasser (Kamel El Basha), um refugiado palestino. Desencadeando assim uma intensa briga que evolui para um julgamento com ampla cobertura midiática e dimensão nacional.

A direção investe pouco em ornamentação visual e textual, entregando uma narrativa linear e objetiva, aliada a uma fotografia direta, composições simples e cortes duros. Entretanto, está no roteiro e nas interpretações, tanto do elenco principal quanto do de apoio, os indícios de genialidade da obra.

O texto do longa opta por provocar e descamar as situações que só fazem sentido em determinada localidade, sem estereotipar, tomar partido ou ser panfletário. A obra tem um olhar tão verdadeiro e real sobre seu povo, que ouso dizer que depois de você assisti-lo, nunca mais aceitará uma visão estrangeira sobre o tema. Ziad Doueiri faz, aqui, um estudo sociológico e antropológico sobre conflitos e seus gatilhos, utilizando situações micro como xingamentos e constrangimentos, a fim de atingir o macro como preconceito, misoginia, sensacionalismo, fanatismo, xenofobia, luta de classes e entre outros.

Inicialmente, o recorte escolhido pelo diretor parece ser bastante pontual e de proporções localizadas no contexto libanês. Contudo, a cada novo personagem inserido, cujas as atuações do elenco são determinantes para imprimirem na tela suas verdades,  abrem-se novas abordagens, problematizações e perspectivas universais, que fazem de O Insulto um filme único e de extrema importância no cenário atual.

 

NOTA: 4,0 / 5,0

 

Nathalie Alves
Nathalie Alves
Cinéfila, nerd e feminista irremediável. Ama games, HQs, comida, RPG, boardgames, podcast, literatura, música, séries...não necessariamente nessa ordem. Estudou letras e cinema na UFPE, e administração no IFPE, desenvolvendo diversas pesquisas e projetos de extensão sobre a representação e a representatividade da mulher na cultura pop. Assiste em média 15 filmes por semana, crê piamente em vida extraterrestre e que a Cate Blanchett e a Léa Seydoux com cabelo azul são a personificação da beleza.

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