Um carro de matar: Christine, o carro assassino

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Stephen King arrasa nos livros de terror, e quando combinamos ele com o nosso queridinho John Carpenter temos um clássico do cinema de horror dos anos 80, “Christine, O Carro Assassino” (Dir.: John Carpenter, 1983). Baseado na obra de King, o longa traz vida ao veículo mais possessivo, possuído e ciumento que você vai ver no cinema, capaz de transformar o nerd de hoje no bad boy de amanhã. Mas calma, não vá pensando que Christine é a versão demoníaca de Relâmpago McQueen (“Carros”, 2006) ou de Herbie (“Se Meu Fusca Falasse”, 1968). Ela é uma personagem ativa na narrativa, que divide, para não dizermos rouba, visto que é o nome dela no título, o protagonismo com o personagem principal Arnie, interpretado por Keith Gordon.

Keith Gordon como Arnie dentro do carro Christine.

Através de efeitos especiais práticos que encantam e despertam muita curiosidade por suas técnicas e qualidade, Carpenter consegue dar vida a esse automóvel de um vermelho intenso e sedutor. A medida que a intimidade de Christine e Arnie aumenta, de maneira bem bizarra, diga-se de passagem, o público é seduzido pelo longa.

As formas, nem sempre tão sutis, de Christine “falar” com Arnie são recursos narrativos criativos e coerentes com a história de modo que essa interação não fica forçada. Nem mesmo o cliché de utilizar o rádio para expressar os sentimentos dela caem em uma chatice, visto que as músicas escolhidas se encaixam perfeitamente ao momento, além de serem ótimas escolhas no estilo rockabilly.  Não é apenas nos diálogos de Christine que encontramos a criatividade de Carpenter e do roteirista Bill Phillips, mas também no que se tange as diferentes maneiras dela cometer seus assassinatos.

Os demais personagens, ninguém se importa (brincadeira). Esses, são pouco cativantes, entrando em clichés que nos permitem traçar previamente seu destino na obra. Desde o início do longa fica claro qual a função de cada um ali seguindo a saga do “nerd humilhado que encontra algo que muda sua vida o tornando um rebelde (sem calça)”.

Apesar de uma narrativa simples com pontos de virada bem delimitados por clichés que a gente adora (às vezes), trata-se de um filme que consegue manter todos os elementos de uma obra do gênero, tensão, o suspense, o sadismo do vilão, e tudo isso sendo interpretado por um carro. Gente, um carro, mais especificamente um Plymouth Fury 1958. Cadê o Oscar desse veículo? Podemos dizer que a “atuação” de Christine é pautada pela composição de quadros, movimentos de câmeras, trilha sonora no maior estilo John Carpenter possível, montagem, efeitos especiais práticos e interação do elenco com esse objeto de quatro rodas. Assistam e vocês nunca mais vão olhar para um carro do mesmo jeito.

 

NOTA: 4,5  / 5,0

Carolina Villa
Carolina Villa
Apaixonada pelo Homem-Aranha e tudo que o envolva. Mas ama mesmo assistir filmes e séries de ficção científica das antigas repletos de efeitos toscos. Quanto mais trash melhor! Graduada em Cinema e Audiovisual na UFPE, e Publicidade e Propaganda na FBV (PE), vive em um poliamor com essas duas áreas.

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